CONSUELO DE PAULA




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Samba, Seresta & Baião

01 - Anabela  letra
02 - Lenço Branco/Destino de Madeira    letra
03 - Folia  letra
04 - Espelho Cristalino  letra
05 - Azulão  letra
06 - Noite cheia de estrelas  letra
07 - Na pancada do Ganzá  letra
08 - Jequitinhonha  letra
09 - Lua Branca  letra
10 - Portela na Avenida  letra
11 - Riacho de Areia/Canto dos Congadeiros de Pratápolis  letra

FICHA TÉCNICA

Idealização, repertório, concepção dos arranjos, produção e direção artística: Consuelo de Paula

Direção Musical e Arranjos: Dino Barioni

Gravação: Space Blues Records

Técnico de gravação: Pedro Marin

Mixagem e Masterização: Audiomobile Digital Áudio Services

Técnico de mixagem: Luiz Leme

Técnico de masterização: Egídio Conde

Projeto gráfico: Juliana Vasconcellos

Assistente: Paula Morgado

Fotos capa, contra-capa, espelho e fundo de caixa: Cuca Jorge

Fotos adicionais: Antônio Esteves, Consuelo de Paula, Lourdes Casquete, Paula Morgado

Fotolitos: Digital Press

Impressão Gráfica: Marquês D'Albany Gráfica e Editora

Agradecimentos: Lourdes Casquete, Cássia Maria, Ari Colares, Elson Fernandes, Mônica Thiele, Tuca Fernandes, Maria Diniz, Antonio Nóbrega, Wilson Freire, Mário Gil, Paula Morgado, Antônio Esteves, Silas, Fátima Rodrigues, Consiglia Latorre, Denise Portes, Plínio, Carmem Sílvia, Lolinha, Egídio Conde, Luiz Leme, Lúcia Andriani e a todos os músicos que comigo já trabalharam.

Nascida em Pratápolis, no sudoeste Mineiro, Consuelo de Paula concebeu um disco em que cantaria os elementos de construção da música popular brasileira - cotejando os cantos religiosos ou profanos de seu interior e os sotaques urbanos ou rurais de pontos diversos do País. Não encontrou gravadora disposta a enfrentar o risco. Comprou, ela mesma, um guia que orientava a produção de CDs e forjou a obra-prima Choro, Seresta & Baião, trabalho independente, um dos registros fonográficos mais preciosos dos últimos tempos. Seus espetáculos, de estrutura cênica simples (mas rica), são deslumbrantes, envolventes, musicalmente elaborados, quase didáticos na abrangência da visão reverente -e a reverência aceita interferências - e carinhosa da cultura brasileira.

Texto da Mostra Prata da Casa, do Sesc Pompéia - São Paulo - Dezembro de 1999 Mauro Dias - Jornal O Estado de São Paulo

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01.Anabela
(Mário Gil/Paulo César Pinheiro)

no porto de vila velha
vi anabela chegar
olho de chama de vela
cabelo de velejar
pele de fruta cabocla
com a boca de cambucá
seios de agulha de bússola
na trilha do meu olhar

fui ancorando nela
naquela ponta de mar

no pano do meu veleiro
veio anabela deitar
vento eriçava o meu pelo
queimava em mim seu olhar
seu corpo de tempestade
rodou meu corpo no ar
com mãos de rodamoinho
fez o meu barco afundar

eu que pensei que fazia
daquele ventre meu cais
só percebi meu naufrágio
quando era tarde demais

vi anabela partindo
pra não voltar nunca mais


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02.Lenço Branco/Destino de Madeira
(Ataufo Alves)/(Adelino Alves/Vargas Jr)

vai, meu lenço branco
tremular noutras mãos
vai manter a tradição
do que é nosso
de geração a geração
lenço, mensagem de um samba
que o tempo jamais desfaz
samba, retrato de um povo
que procura amor e paz

eu tenho o destino da madeira
que canta quando morre na fogueira

eu sofro, sofro muito, meu senhor
e canto pra esquecer a minha dor
quando nova mágoa no meu peito vem morar
eu faço mais um samba popular

que pergunta você faz
se eu sou tão infeliz
para avaliar meu sofrimento
basta analisar os sambas que eu já fiz

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03.Folia
(Lourenço Baeta/Xico Chaves)

se a sanfona chora eu canto
canto de coração
quando a folia passa
puxando a multidão
mão de pegar enxada
dura como uma pedra
quando pega na sanfona
é rosa amarela

voz que com o gado berra
já criou calo na goela
quando vem cantar folia
vai pintando uma aquarela

ê minha folia
minha estrela do oriente
luz da estrada vem e guia
o destino dessa gente

Fitas
(Consuelo de Paula/Luiz Gonzaga de Paula)

voam fitas amarelas, voam fitas multicores
fitas amarelas levando as nossas dores
fitas amarelas, soam tambores
voam fitas amarelas levando as nossas dores

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04.Espelho Cristalino
(Alceu Valença - Refrão do Folclore Alagoano)

essa rua sem céu, sem horizontes
foi um rio de águas cristalinas
serra verde molhada de neblina
olho d'agua sangrava numa fonte
meu anel cravejado de brilhantes
são os olhos do capitão corisco
e é a luz que incendeia meu ofício
nessa selva de aço e de antenas
beija-flor estou chorando suas penas derretidas na insensatez do asfalto

mas eu tenho meu espelho cristalino
que uma baiana me mandou de maceió
ele tem uma luz que alumia
ao meio-dia clareia a luz do sol

que me dá o veneno da coragem
pra girar nesse imenso carrossel
flutuar e ser gás paralisante
e saber que a cidade é de papel
ter a luz do passado e do presente
viajar pelas veredas do céu
pra colher três estrelas cintilantes
e pregar nas abas do meu chapéu
vou clarear o negror do horizonte
é tão brilhante a pedra do meu anel

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05.Azulão
(Jayme Ovalle/Manoel Bandeira)

vai azulão, azulão
companheiro, vai
vai ver minha ingrata

diz que sem ela
o sertão não é mais sertão

ai, voa azulão
vai contar
companheiro, vai

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06.Noite cheia de estrelas
(Cândido das Neves [Índio] )

noite alta, céu risonho
a quietude é quase um sonho
o luar cai sobre a mata
qual uma chuva de prata
de raríssimo esplendor
só tu dormes, não escutas
o teu cantor
revelando à lua airosa
a história dolorosa
desse amor

lua
manda a tua luz prateada
despertar a minha amada
quero matar meus desejos
sufocá-la com meus beijos
canto
e a mulher que eu amo tanto
não me escuta, está dormindo
canto e por fim
nem a lua tem pena de mim
pois ao ver que quem te chama sou eu
entre a neblina se escondeu

lá no alto a luz esquiva
está no céu tão pensativa
as estrelas tão serenas
qual dilúvio de falenas
andam tontas ao luar
todo o astral ficou silente
para escutar
o teu nome entre as endechas
as dolorosas queixas
ao luar...

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07.Na pancada do Ganzá
(Antonio Nóbrega/Wilson Freire)

eu estava em casa
mastigando o pensamento
olhando pro firmamento
que era noite de luar
e de repente
uma estrela cadente
piscando na minha frente
parou pra me falar
ela me disse
meu poeta camarada
tome aqui, quero lhe dar
um presente magistral
e foi tirando
do seu peito colossal
um instrumento real
que ela chamava ganzá

meu ganzá, meu ganzarino
meu ganzarino real
gira o mundo, treme a terra
e eu na pancada do ganzá

quando eu peguei
meu ganzá pra cantar coco
eu pensei que tava louco
eu não pude acreditar
pois na primeira
batida da minha mão
meu ganzá caiu no chão
e deitou logo a falar
salve o coquista
que chegou de longe agora
você veio bem na hora
de poder me resgatar
da solidão
onde eu tenho vivido
onde têm me escondido
para eu não me revelar

meu ganzá, meu ganzarino
meu ganzarino real
gira o mundo, treme a terra
e eu na pancada do ganzá

sou um instrumento
pequeno, feio, chinfrim
que trago dentro de mim
basculho pra sacolejar
garrafa velha
qualquer coisa reciclada
dou beleza ritmada
quando vêm me balançar
dou marcação
pro samba, pro fox-trote
pro baião, forró e xote
e o que mais venham inventar
e o que vier
até som do outro mundo
sou primeiro sem segundo
na arte de ritmar
meu ganzá, meu ganzarino
meu ganzarino real
gira o mundo, treme a terra
e eu na pancada do ganzá

e o ganzá
se colou na minha mão
apertei ele e então
senti forte um balançar
fazia assim
tum tum tum tum tum tum tum
como no peito o baticum
que tá pronto pra amar
fomos cantando
o país do futebol
da amazônia, praia e sol
do babau, do boi-bumbá
do carnaval
do são joão, da cavalhada
do repente, da congada
da catira e do guará
esse país,
feio, rico, pobre, lindo
que eu não sei pr'onde tá indo
mas eu sei que chega lá
fomos ouvir
a floresta tropical
o sertão, o litoral
ver a seca, a preamar

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08.Jequitinhonha
(Lery Faria/Paulinho Assunção)

Jequitinhonha
braço de mar
leva esse canto
pra navegar
traz do garimpo
pedra que brilha
mais que a luz do luar

jequitinhonha
jequitibarro
mete essa unha
tira da terra
vida talhada com as mãos
vida talhada com as mãos

já te quis, já te quis
tá te quis tanto
já te fiz, já te fiz
já te fiz sonho
tem cantei, te cantei
te cantei pranto
como a água da chuva
que inunda esse chão

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09.Lua Branca
(Chiquinha Gonzaga)

ó, lua branca de fulgores e de encanto
se é verdade que ao amor tu dás abrigo
vem tirar dos olhos meus o pranto
ai, vem matar esta paixão que anda comigo

ah! Por quem és, desce do céu, ó, lua branca
essa amargura do meu peito, ó vem, arranca
dá-me o luar de tua compaixão
ó, vem, por deus, iluminar meu coração

e quantas vezes lá no céu me aparecias
a brilhar em noite calma e constelada
e em tua luz, então, me surpreendias
ajoelhado junto aos pés da minha amada

e ela a chorar, a soluçar, cheia de pejo
vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo
ela partiu, me abandonou assim
ó, luz branca, por quem és, tem dó de mim

Voz: Consuelo de Paula
Violão: Paulo de Tarso

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10.Portela na Avenida
(Mauro Duarte/Paulo César Pinheiro)

portela
eu nunca vi coisa mais bela
quando ela pisa a passarela
e vai entrando na avenida
parece
a maravilha de aquarela que surgiu
o manto azul da padroeira do brasil
nossa senhora aparecida
que vai se arrastando
e o povo na rua cantando
é feito uma reza, um ritual
é a procissão do samba abençoando
a festa do divino carnaval

portela
é a deusa do samba, o passado revela
e tem a velha guarda como sentinela
e é por isso que eu ouço essa voz que me chama
portela
sobre a tua bandeira, esse divino manto
tua águia altaneira é o espírito santo
no templo do samba

as pastoras e os pastores
vêm chegando da cidade, da favela
para defender as tuas cores
como fiéis na santa missa da capela

salve o samba, salve a santa, salve ela
salve o manto azul e branco da portel
desfilando triunfal sobre o altar do carnaval

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11.Riacho de Areia/Canto dos Congadeiros de Pratápolis
(Do canto dos canoeiros do Vale do Jequitinhonha, recolhido por Lira Marques e Frei Chico.
Cantos dos Congadeiros de Pratápolis - Adaptação: Consuelo de Paula)

Para a Tota, Custódio, Chico Beda e todos os congadeiros

o sol já vai entrando
vai deixando a claridade e a luz
coroado despede da igreja
e do menino de jesus
(Canto dos Congadeiros de Pratápolis)

vou descendo rio abaixo
numa canoa furada
ô beira-mar, adeus dona
adeus riacho de areia

arriscando minha vida
numa coisinha de nada
ô beira-mar, adeus dona
adeus riacho de areia

adeus, adeus, dona adeus
eu já vou m'embora
eu morava no fundo d'água
não sei quando voltarei
eu sou canoeiro

eu não moro mais aqui
nem aqui quero morar
ô beira-mar, adeus dona
adeus riacho de areia

moro na casca da lima
no caroço do juá
ô beira-mar, adeus dona
adeus riacho de areia

um dia eu fui passear
o meu coração ficou
quem morava dentro dele
partiu, fechou, tirou a chave, levou

canário amarelo que sabe dobrar
eu também sou canário
eu também sei cantar

levantei o bastão
deixa a fita avoar

vamos na mais pura macieza
vamos na maior delicadeza

Voz: Consuelo de Paula
Violões: Dino Barioni
Viola: Dino Barioni
Pandeiro: Cássia Maria
Caixa de congo: Ari Colares
Vocal: Mônica Thiele e Maria Diniz

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