"A poesia dos descuidos, parceria entre as imagens construídas por Lúcia Arrais Morales e por Consuelo de Paula, constitui uma
jornada por um mundo que aparentemente existe apenas na marginalidade e no esquecimento. [...] O processo de criação das 88 páginas do livro
reúne diversos momentos. Todos eles são marcados por uma grande delicadeza de concepção e, principalmente, por um olhar diferenciado sobre o mundo.
[...] Lúcia recolhe do chão restos do cotidiano e os leva para cartões pintados com lápis de cera. Consuelo lida com essas imagens na perspectiva de quem trabalha o som e a
palavra [...] Seus poemas não são simples leituras das criações de Lúcia, mas agregam a interpretação lírica que cada combinação evoca. A surpresa se
faz constante pelo sentimento de que o ato de trabalhar com o verbo tem uma magia própria." Ocar D'Ambrosio - Jornal da UNESP, maio de 2011
"Combinar a imagem com o texto é uma finura que Consuelo de Paula e Lúcia Arrais Morales realizaram neste livro. Desenho, poesia, música, literatura,
ciência e intuição se fundem neste trabalho de aproximar contrários, reordenando a multidão dos descuidos. A desordem e a ordem podem ser
sentidas a cada página, tanto que o eu-lírico adverte logo nas primeiras páginas que há sempre auxilio, um sentido para a dor das coisas perdidas, desordenadas,
encontradas no chão. O mesmo chão por onde nós leitores percorremos sem nos darmos conta de quantas histórias pisamos, repassamos e esquecemos. [...]
Não há elogio aos descuidos neste livro, há uma ode à arte e um convite para vivenciá-la. [...] Poesia se escreve com o corpo e é pela sensibilidade que
percorremos suas veredas, diz o poeta Manoel de Barros. Por isso não convido o leitor a entender A poesia dos descuidos, mas experimentá-la com o corpo,
compreendê-la em seus diferentes sentidos [...]" Alexandro Henrique Paixão e Anderson Ricardo Trevisan - Críticos de Sociologia da Arte - USP - São Paulo